Entrevista a Filipe Grangeiro para a Navs Gridiron

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Entrevista a Filipe Grangeiro para a Navs Gridiron

Filipe Grangeiro termina este ano a sua carreira como jogador de Futebol Americano. Durante X anos serviu os Lisboa Navigators e contribuiu em muito para o sucesso da equipa. Na edição deste mês da Navs GridIron conhece este atleta.

O que te levou a começar a jogar Futebol Americano?

Quem me “recrutou” foi o Paulo Monteiro (provavelmente o melhor jogador português que vi jogar) prometeu-me que no final dos treinos tinha-se direito a um bongo e a sandes de fiambre. Eu por mim era mais adepto de sandes com manteiga, mas decidi experimentar uma vez que os farináceos sempre foram a minha perdição. Relativamente ao bongo, era-me indiferente, bastava-me água, não necessitava de ser o Moët Chandon dos sumos.

De que forma o FA influenciou a tua vida nível profissional e pessoal?

Tanto a nível profissional como pessoal influenciou positivamente, uma vez que agora existe desculpa para me esquecer de coisas e culpar o Futebol Americano devido às pancadas na cabeça. De (vez em quando dá jeito e não se adquire este skill/estatuto do dia para a noite. Ainda a nível pessoal, criou-se uma segunda família daquelas que se tem vergonha de mostrar a pessoas de respeito, mas que no fundo se gosta de passar tempo com ela.

Qual foi a tua maior dificuldade na adaptação ao FA?

Dentro de campo, no início foi um desafio decorar o playbook e principalmente perceber o que cada jogador deve fazer. Isto é importante para, se a jogada correr mal, naturalmente saber a quem atribuir a culpa. Fora de campo foram as várias e longas viagens para ir jogar aos outros clubes. Nas viagens dos Navigators é um hábito passar a viagem toda sem dormir. Não sei quando isso começou mas tornou-se tradição ao longo do tempo.

Qual o momento que guardas como o mais importante da tua carreira?

Talvez a vitória na primeira final da Liga Portuguesa e também a vitória à “selecção” espanhola. Na primeira porque foi aí que começou a “contagem” e a segunda devido à sua relevância. Também importante foi também a primeira vez que fui placado pelo André Monteiro. Desde então utilizo fralda à noite.

Qual o momento mais triste?

Na meia-final da 2ª liga espanhola. O kicker não pode ir a esse jogo e fui o escolhido para o cargo sem grandes treinos e talento para isso. Falhei um field goal que nos levaria à final. O resto das perguntas serão respondidas na posição fetal e a soluçar devido a este reviver do passado. Um obrigado e um bem haja.

Para ti, qual a razão dos Navigators serem uma equipa tão bem sucedida?

O facto de sermos uma família disfuncional com pessoas com perfis muito distintos. Temos pessoas com perturbações da glândula tiróide (OL, DL), pakistanismo (TE), onanistas (WR), indivíduos com raciocínio limitado e pouco brilhantismo (LB e DB), seres com um elevado grau de demência (FB e RB) e mágicos do sono (Treinadores). O nosso QB Zé Pedro é um caso especial porque é isto tudo ao mesmo tempo. No entanto todos temos uma coisa em comum: amor à cerveja. Nas situações mais difíceis é isto que fala mais alto, uma vez que não há cerveja na derrota.

O que é para ti ter espírito Navigator?

É perceber que existe um objectivo maior comum do que nossos objectivos pessoais. É perceber que se os Navigators atingiram o que atingiram foi porque várias pessoas se sacrificaram por isso e eu também vou fazer o mesmo. É respeitar e considerar o Marco Madeira um 2º pai, apesar de ele ser mais baixo do que o teu filho, e o Amílcar Piedade aquele tio que esteve na guerra que conta histórias até adormeceres e quando acordas ele ainda não acabou.

O que esperas ou achas do futuro próximo do FA em Portugal?

Espero que o Futebol Americano ganhe mais notoriedade, interesse e exposição relevante em Portugal. Acho que num futuro próximo isso não será atingido mas, quem sabe, se com a criação de uma selecção nacional, com mais vitórias “overseas” e principalmente através da criação de várias equipas de cheerleading isso não será uma realidade. Pode ser ainda, que no futuro haja transmissões televisivas em directo dos jogos nacionais nem que seja na SportTV27.


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